sábado, 18 de junho de 2011

Piuí, piuí, piuí abacaxi

Acho graça quando chegamos à estação final e o condutor fala ao microfone: “O Metrô Rio agradece pela preferência e deseja a todos...” um bom dia, boa tarde, boa noite. Acho graça porque “preferência”, até onde sei, é um favorecimento entre iguais. Sugere a possibilidade de escolha entre um elemento e outro de mesmo calibre. Disputa justa.

Preferência em relação a quê, cara-pálida? Seria frase adequadíssima se houvesse pelo menos dois metrôs. Duas empresas concorrentes, trajetos distintos, brigando pelos melhores carros, acomodações mais confortáveis, menor intervalo entre as composições. Não há. É a bodega de sempre; como bem diria Dicésar, “o que tem pra hoje”. O máximo que “preferimos” é viajar de pé, esmagados, sem fumaça no nariz, a viajar de pé, esmagados, com fumaça no nariz. Dado o número de paradas do trem para “aguardar a liberação do tráfego à frente”, suspeito que até engarrafar o bicho já engarrafa.

O plano divulgado na TV é de novos carros com pinta de trem-bala, ar modernoso, uma beleza. Ah, e menos assentos. Para que tantos assentos, não é verdade? Coisa tacanha, essa ideia de viajar sentado. Atravanca o vagão e impede o devido esmagamento de mais 117 ou 118 infelizes. Normalmente já não tenho certeza se salto com meu próprio braço ou com o alheio; na futura configuração, periga algum distraído levar meu olho esquerdo embora. Se é que já não anda passeando por aí com ele. Ou são os graus de miopia que me embaraçam na hora de admirar a justeza do aumento da tarifa – imposto sadomasô que mais pagamos quanto mais as portas do metrô nos batem, nos tafulham, nos espremem, nos jogam na parede, nos chamam de lagartixa?

De qualquer forma, se eu começar a escrever visões díspares sobre um mesmo assunto, já tenho um álibi.

5 comentários:

Fábio Flora disse...

Tenho a impressão de que estou com a perna de outra pessoa há duas semanas. E agora? Há alguma salinha de achados e perdidos nas estações?

Dona Ana disse...

Olá, Fernanda. Eu passei aqui para agradecer seu comentário, mas acabei me distraindo com seus textos. A forma como vc aborda a realidade, diz o que pensa sem receio e preocupação alguma com o que os "reizinhos" irão falar, agradou-me muito. Em alguns momentos até ri, como quando a multidão te levou para fora do metrô e vc, os braços levantados para os céus, gritou com aquele tom de revolta "Preferência em relação a quê, cara-pálida?" risos. Bem, o caso é que ao invés de agradecer o seu comentário, vou agradecer por vc compartilhar com todos nós o seu "lugarzito". Beijos

Lucas Nuti disse...

Hhusuhhsasa... vc tem toda razão. Aqui em SP não é diferente!
Eles agora querem retirar alguns bancos para comportar mais pessoas no trem, e não adianta escrever pra lá (como fiz) dizendo que os passageiros pagam R$ 2,90 para irem sentados e que a solução seria aumentar o tráfego de trens, pq eles ignoram!
No todo, mais do que válido seu apelo!
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http://alteregodonuti.blogspot.com/

Jac Bagis disse...

lendo o seu texto, lembrei-me qdo morava em sp e precisava utilizar os trens e metros... qto aperto! acho até que a sardinha dentro da lata tinha mais espaço q eu dentro de um vagão rsrsrsrsrs

http://seenovidadeeuquero.blogspot.com/2011/06/poeta-do-rock.html

Marcus Alencar disse...

Infelizmente, existem donos de microfone que fazem esse uso inadequado das palavras por assim dizer. A preferência nesse caso seria no minimo uma forcinha de expressão e olhe lá, rs.