quinta-feira, 30 de junho de 2011

X-tudão

Quando eu tinha seis anos... não, não ganhei um porquinho-da-índia, infelizmente – ou felizmente para o porquinho, que não morreu esmigalhado de fofura. Quando eu tinha seis anos, quando o mundo estava em 30 de junho de 1986, todos nós ganhamos um quitute doce, doce, doce para os cafés da manhã de segunda a sábado: estreava o Xou da Xuxa, berço de todas as lourices infantis na TV. Sim, antes já havia Xuxa e, consequentemente, já havia lourices; mas nada marcou mais uma geração do que aquela bizarrice colorida. Nave espacial, mosquito gigante (da época em que dengue ainda não era praga), tartaruga anã, querido Xuxo, aeróbica, ombreiras, botas, pompons, meninos contra meninas, não pode piscar, não pode rir, ilari-lari-lariê, pão, pão, pão, cartinhas, soldadinhas, smurfs, vai mandar beijo pra quem? She-Ra, He-Man, pra minha mãe, pro meu pai e pra você. Era desbundado, era insano. Era pura vida-é-mel.

Tive uma relação de amor e ódio com o Xou. Adorava invocar os poderes e a honra de Grayskull, mas me faltava paciência para o xuxismo: os beijinhos-beijinhos, a xaropada, o figurino, a histeria das tietes. Mãe me fez chuquinhas no cabelo em meia dúzia de festas e só. Também me irritava a mania de pôr garotos contra garotas (já então eu odiava as segregações, e, por sinal, achava os meninos ótimos companheiros de grupo na escola). Fora os desenhos do Xou – alguns –, o que eu curtia mesmo era Canta conto, Rá-Tim-Bum, as brincadeiras mambembes do Bozo, a simplicidade de Mãos mágicas. Este último programete, frugal toda a vida, eu esperava salivando: que desenho, recorte, colagem elas ensinarão hoje? Em compensação, sempre ganhei todos os discos da loura e sabia direitinho os hits principais, como quem bate ponto. No período em que havia música durante o recreio, meu encanto era pular a coreografia de “Tindolelê” pra lá e pra cá. Mais um! mais um!...

Mais um ano se passou, mais um, mais outro. De seis passei aos trinta e um anos, e o Xou, num certo 2011, completou suas bodas de prata com o Brasil. Tudo bem que eu quase não via, não gravava e (a ser sincera) não lastimei seu término. Não importa. Se a adultice traz algo de azul, é a gente ver tudo que nos trouxeram de azul. É reconhecer, nos gestos daqui da frente, as referências de lá de trás. Este post, devidamente, é a declaração de amor àquilo que não amei – da criança que no fundo sabe, amiguinha Xuxa, quanto era bom estar e brincar com você.

(P.S.: Se – ainda – quiser brincar com a gente, pode vir, nunca é demais!...)

11 comentários:

Fábio Flora disse...

De fato, a lourinha marcou um X nos corações infantis de uma geração inteira. A vida era doce, doce, doce naquelas manhãs dos anos 80. Quem viveu e brincou os quase sete anos do Xou jamais deixará de ser baixinho. X o que que é? É Xuxa!

Barbara Nonato disse...

Marcou época, não h´como negar e mesmo não sendo tão bom, tinha ainda mais qualidade que os programas atuais da TV aberta.

Guga disse...

Que revolta hehe, eu gostava, e hoje num tem mais loirice infantil nenhuma né? Nem a Mara que me lembro que era a unica morena no meio delas faz mais programas infantis...blog legal, gostei do post.

Anônimo disse...

Seguindo, segue de volta ? http://blogadosaki.blogspot.com

Cristiano disse...

Xis tudão me lembra um lanche que tinha na minha cidade, hehehhe!
Mas quanto a xuxa, vivi essa época também, mas o que eu gostava mesmo era dos desenhos animados! grande abraço!

Paulão Fardadão Cheio de Bala disse...

Nunca gostei de nenhum apresentador de programa infantil. Sérgio Malandor, Mara, Angélica, Xuxa, Bozo... pra mim eram só inconvenientes idiotas que atrapalhavam a apresentação dos desenhos q eu gostava. Na verdade eu ficava mudando de canal, se a xuxa entrava falar suas baboseiras meladas, eu mudava pro SBT ver se Sérgio Malandro já tinha acabado as dele pra deixar passar o Snoopy...

Mas mesmo os desenhos eram um chute no saco, as vzs. He-Man e She-Ra, com seus roteiros incansavelmente repetitivos eram motivo de briga qdo eu dizia q eram lixo, mas as outras crianças babonas não entendiam pq. Já Thundercats e Caverna do Dragão valiam a pena, apesar de terem lá suas enrolações.

O pior era qdo uma série diferente, intrigante e emocionante de desenhos era interrompida do nada pq não dava audiência. Puta merda! Como a criançada cabeça de bosta da época não percebia q Zillion, Rei Arthur e uns outros (q não sei o nome até hoje) eram mto melhores q Spiral Zone e Centurions?

Por isso eu lia. Com seis pra sete anos descobri q os livros pra adultos eram mto mais satisfatórios em termos de trama e complexidade q o mundo bidimensional dos desenhos animados pra crianças com cérebro atrofiado.

Mas em questão de imagem, representação, nada batia as animações, por isso continuei acompanhando séries seguidas de desenhos (uns bons outros nem tanto): Muppet Babies, Eek the Cat, Cavaleiros do Zodíaco (xaropada, mas era a única opção da época...), Yu Yu Hakushô...

Até hoje ainda vejo desenho, acompanhei o Homem-Aranha e a Liga da Justiça até um ou dois anos atrás, e mais recentemente descobri Batman, the Brave and the Bold, e Avengers Earth's Mightiest Heroes, os quais vejo sempre q posso.

Sem falar em animês, Akira, Hellsing, Ninja Scroll...

Já as músicas melosas dos apresentadores, eram motivo de minha maior ojeriza. Se t encontrasse pulando ilariê em algum recreio da vida, provavelmente t fazia chorar (isso se não t achasse ajeitadinha, mulher ajeitadinha tem privilégios comigo...)

Nubia Santos disse...

VocÊ Me fez resgatar a minha infância ... Época na qual na televisão as crianças podiam ser crianças : inocentes , puras , ingÊnuas e simples. Infelizmente hoje as crianças estão cada vez mais adquirindo malícia e agindo como pequenos adultos .

http://eupossofazeradiferenca.blogspot.com/

Andy A. disse...

Marcou epoca com certeza , hoje s tornando um clássico , mas a xuxa era ,e e sempre será muuuuuito chata . as melhores coisas eram os desenhos .

http://andyantunes.blogspot.com/

Jac Bagis disse...

qual mãe não fazia xuxinha na cabeça das filhas??? de lembrar, meu couro cabeludo dói kkkkkkkk

Bastidores disse...

Que lindo esse blog, que lindo esse jeito de escrever! Li até o fim e gostei muuuuuito! Sério mesmo, a Xuxa sempre me deu medo. Por um tempo eu até gostei da sua performace mas depois descobri que a boneca era maligna e (pasmem!) fiquei morrendo de pavor das suas loirices!

De tanto que gostei, já sigo o blog. E se quiser dar uma olhada nos meus manuscritos de livros (que com sorte um dia serão publicados) é só acessar o http://iampurplepineapple.blogspot.com/ e conferir minhas maluquices nada a ver com loirices!

Cósquinhas nos xuquinhas

Pamela Dal'Alva. disse...

nao sei s eu gostava de Xuxa..
acho q sim.. vai saber ..

mais ano passado eu tinha porquinhos da india XD

pena q vieram doentes e não deu p cuidar o pior mesmo foi o sofrimento q tivemos por causa do filhote.. Maguu