sexta-feira, 8 de julho de 2011

Bem-vinda à casa de bonecas

A filósofa Viviane Mosé (li eu na coluna de Joaquim Ferreira dos Santos) esbravejou recentemente contra o hábito de certos restaurantes “chiques” entregarem um cardápio diferente para as mulheres, no qual não aparecem os preços dos pratos. “Isso é de um machismo absurdo, uma ofensa! Dá a entender que a mulher não pode ou não deve pagar a conta. Parece que estamos na Idade Média”, irritou-se Viviane. Com todíssima razão. Até arrisco um esforço para entender a tentativa feita pelos donos de restô de se mostrarem cavalheiros (tortos), mas a coisa derrapa feio, o agá se perde na freada e esses senhores saem mesmo como cavaleiros da triste figura. Por que artes e meios adivinham o contracheque de um casal? Com que direito assumem nossa tutela? Com que autoridade afastam os olhos de bancárias, banqueiras, advogadas, empresárias, executivas dos cifrões que lhes são velhos colegas de trabalho? Independentemente, aliás, da atividade que as senhoritas em questão venham a ter: donde vem a audácia de “pouparem” as maiores economistas domésticas da ciência de suas escolhas?

Não sou queimadora de sutiã (por sinal, adoro um bojo); tenho, porém, gana crônica de ver preconceitos e petulâncias virarem churrasquinho. Gentileza é caprichar no buquê de rosas vermelhas, simplesmente porque. Abrir portas, puxar cadeiras – vá lá. Gestos de perfumaria; peixinhos que alimentam o sagrado hábito de fazer a corte. Ocultar preços, no entanto, já entra em terreno de paternalismo: área pantanosa. Irrelevante quem paga ou deixa de pagar. Venenosa é a presunção de que as damas, tenhamos renda ou não, necessitamos de um sugar daddy que nos banque mentalmente, fazendo a devida filtragem de informações. Conhece alguma donzela-em-perigo que se encaixe? Nem eu. Não com mais de três anos. E as dessa idade, se têm mamães e papais espertos, espiam Jornal Nacional, ganham sua mesadinha, fazem depósitos em sua conta-porquinho e estão fartas de ouvir sobre desemprego. As demais residem, talvez, em 1984.

Mocinhas quebradiças? Tolinhas de capa vermelha aguardando o braço do caçador nos desviar do mau caminho? Me poupe.

11 comentários:

Lucas Adonai disse...

Muito bom! :D

Carmen Alineri disse...

Blog incrível! Beijos mil ♥

http://uzeabuze.blogspot.com

Aline Diedrich disse...

Deveria um grupo de mulheres ir lá, aproveitar e não pagar a conta porque não há preços hauhauhauahuhuah Também me revoltei, tamanha ignorância desse "estabelecimento"!

indivídua disse...

sabe o q é triste? o machismo está ainda mais presente do q imaginamos. no movimento "marcha das vagabundas" aqui em POA, a maioria dos "libertários" que apareceram estavam rindo da idéia e comentando sobre as meninas. e só. mas não podemos ficar quietas não...

bia santos disse...

Se o cara quiser pagar a conta do Restaurante tudo bem, mas poupar as mulheres do preço é um absurdo! Visto que somos nós quem na maioria das vezes administramos o orçamento doméstico.

Pamela Dal'Alva. disse...

não tem jeito sempre viveremos em um mundo machista. FATO

Tássia F. Ferreira disse...

Isso mesmo Fernanda!

"Não sou queimadora de sutiã (por sinal, adoro um bojo)" auhauhauhau eu tbm
;*

Andy A. disse...

Essas coisas serão muito difíceis de mudar e a culpa maior é das próprias mulheres pois quando tem filhos , os educa com igual preconceito ...

Fìlippa Agnella disse...

Olá, adorei a sua postagem, concordo 100%!
Convido-a para visitar a minha loja de bijuterias online http://www.filippaagnella.com/
Abçs!

MorelHP disse...

bacana o blog, parabens ^^

Geane Costa Borges disse...

Adorei o blog muita coisa interessante e comentando a respeito da postagem de certa forma concordo com a Andy A.

Devemos educar nossos filhos para que não aconteça com outra pessoa oque aconteceu como nos mesma