segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Super 6

Assistimos a Super 8, o novo de J. J. Abrams. Mas é irresistível sair do cinema dizendo: o novo do Spielberg. Ou coquetel de antigos. Apesar de o velho Steven “apenas” produzir o filme, estão lá (todões) seus elementos reconhecíveis de autor e diretor: a amizade infantil dos Goonies, as misteriosas-ocorrências-em-cidadezinha de Contatos imediatos, a solidão entre pais e filhos de Prenda-me se for capaz, o medo comunitário de Tubarão, as aproximações monstruosas de Jurassic Park e, claro, a simbiose homem/alienígena, os adultos nulizados, os militares carrancudos de ET. Lanternas, muitas lanternas. Bicicletas, muuuuuuitas bicicletas. Infelizmente, não voadoras.

A não-voadorice das bicicletas de Super 8 traduz o filme. Apesar da propaganda que enfatiza a twilight zone, apesar do climão de sci-fi, apesar da conspiração rolando solta e o sinistro batendo ponto, o longa é terrestre e (demasiadamente) humano. Extraordinário mesmo é o grupo de crianças que o protagoniza: Joe (Joel Courtney), um Elliot aparentemente mais órfão e sofrido; Charles (Riley Griffiths), incrível projeto de Orson Welles; Cary (Ryan Lee), miniatura de Michael Bay – segundo o Fábio –, com sua fome orgástica por explosões; Martin (Gabriel Basso), atorzinho chorão e vomitão; Preston (Zach Mills), caxiasinho medroso; e o melhor achado do enredo, a mini-heroína Alice (Elle Fanning) – sem favor nenhum, merecedora de papar Oscar. É do sexteto fantástico que emergem as maiores estrelices da produção, com destaque para três cenas de Alice: as duas em que a menina ensaia para o filme amador do grupo e aquela na qual lamenta, massacrando corações, a morte da mãe de Joe (não é spoiler, gente: a história já começa no velório da Sra. Lamb). Os seis jovens heróis nos perplexam. Conforme comentou o Fábio, não parece que vivem hoje, no mundo real, ainda como pré-adolescentes. Tanto chupam o gosto e o cheiro do finzinho dos 1970s, tanto absorvem a contestação respeitosa, a marotice inocente da época, que aparentam ser crias autênticas dos seventies e eighties – atualmente crescidas, como todos nós.

É justamente a recriação (e bota RE-CRI-A-ÇÃO!) histórica o que mais sacoleja depois do elenco juvenil, tão perfeita que é. Os setenta/oitenta não estão ali imitados: ressurgiram. Belos adormecidos, acordaram como os deixamos. Cristalizados. Intactos. Não à toa – não podia ser à toa –, na saída do cinema uma lua pornograficamente cheia enfeitava o Pão de Açúcar. Olhando mais alguns minutos, tenho certeza: veríamos uma silhueta de Elliot com um certo seu amigo na bicicletinha.

Tínhamos acabado, todos, de voltar para caaaaaaaasa.

10 comentários:

MisTureBa disse...

Parabéns Fernanda você escreve muito bem, ainda não assisti esse filme mais fiquei curioso depois de ler o texto. ;D

http://humor-sem-graca.blogspot.com/

Urbano disse...

Pretendo assistir nesta quarta. O que me fisgou foi justamente a pegada oitentista que tenho saudades. Abs!

Parada Obrigatória disse...

Acho que é exatamente por isso que Super 8 entra pra história: por juntar todos os fatores de sucesso do grande Steven Spilberg.

Andy A. disse...

Ainda não asssiti esse filme , mas com certeza vou ir ver .

Joice Kelly disse...

que legal!nunca assisti mas quero assistir

lanna consultora disse...

VIM TE CONVIDAR A PARTICIPAR DO SORTEIO LÁ NO BLOG, AGUARDO SUA VISITA TE SEGUINDO AQUI VIU, BJBJ.
http://lanna1000utilidades.blogspot.com/2011/08/1-sorteio-do-blog.html

Camila Hame. disse...

Que interessante!
Bem legal.
Ficou a dica.

http://www.papel40kg.com/

Marcus Alencar disse...

Cara, você escreve de um jeito tão linda que até um critica/dica de cinema fica irresistível de ser ler, o que nesse caso torna a vontade de ver o filme cada vez mais inevitável. Sou Fã de carteirinha de De volta para o futuro, amo Fringe e posso dizer o mesmo do excelente trabalho que o JJ fez no novo Star Trek. Agora, é obrigatório mesmo ver esse filme, rs.
Os anos 80 foram uma época de ouro e são lembrados e reverenciados até mesmo porque não os viveu em sua plenitude mas saboreou os frutos da época posteriormente como é o meu caso.

Fernanda, muito obrigado pelo seu comentário nos meus post. Sempre fico feliz com sua participação lá. Inclusive, ainda estou curioso para saber o que achou do meu texto sobre inspiração, rs.

Nanda disse...

Ainda não assisti, mas to pretendendo assistir.
http://teenagerspov.wordpress.com/

Carol disse...

Gostei bastante de sua 'resenha'. Deu vontade de assistir
!!!