segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Menino maluquinho

Eu tinha de começar por alguém; comecei pelo Juvenal. Pelo Joelho Juvenal – primeiro livro que lembro de ter em mãos. Vieram no embalo Pelegrino e Petrônio, Os dez amigos, Rolim, Um sorriso chamado Luiz. Obras quadradinhas (só em formato), coloridas, que personalizavam partes do corpo com ternura, sem tolice. Minha iniciação. Meu mundo pré-Lobato. Não fosse o planeta lilás onde habita Ziraldo – ele e seus meninos morenos, marrons, maluquinhos, quadradinhos, os da lua, os do Rio Doce, os mais bonitos do mundo, as meninas Ninas –, quem sabe se hoje eu estaria aqui professora, desde sempre uma apaixonada de histórias?

Na 1ª. série conheci Maluquinho, protótipo da criança feliz: fogo no rabo, macaquinhos no sótão, olho maior do que a barriga. Paletó do pai e panela na cabeça. Não amá-lo como? Não eram só Maluquinho, Julieta, Junim, Carol, Bocão: eram os traços ziraldescos, grossos, contentes, solares, inconfundíveis. Passaram na escola uma entrevista em vídeo com Ziraldo e nos recomendaram atenção. Atentei a tudo e anotei tudo com tanto desvelo que meu pequeno relatório fez sucesso entre as tias. Não lembro o teor, só me recordo do autor ziraldeando, fazendo graça, para explicar como criara Maluquinho. Precisava explicar? Maluquinho já nasceu criado, nasceu existente, vivia um pouco em qualquer pequeno de sete anos. Seu pai, carinhosamente, apenas nos constatou.

Hoje, no 24, Ziraldo vira um pequeno de 79 (!!!!!) anos. Ele e suas cores, seus mundos, suas luas, seus cometas, seus encantados planetas. Seus cartazes sorridentes da Feira da Providência, suas anedotinhas fofas do Bichinho da Maçã. Suas mães que são súper, seus Jeremias que são bons. Aliás, Bons. Suas vovós que são delícia, suas tias que são tantas – e são nota dez. Suas lições de alfabeto, geografia, poesia, anatomia doida, astronomia lírica. Seu autógrafo que até hoje me sorri num dos livrinhos: “Viva a Fernanda!”.

Viva o Ziraldo! Por sua causa, o mundo desta professora muito maluquinha desde cedo brilhou bem mais flicts.

7 comentários:

Maíra Cintra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maíra Cintra disse...

Lembro-me quando era pequena que li o livro do menino maluquinho umas trocentas vezes, e como ele era sem cor, eu mesma pintava!
mairacintra.blogspot.com

Isabelle Lopes disse...

ooi passei aqui
o meu blog é http://pequenabelle.blogspot.com/

Rodrigo Teixeira disse...

Putz... Menino Maluquinho.
Bela lembrança, não pude disfrutar tanto como você. Mas sei que em si a obra é completamente perfeita e linda!
Viva Ziraldo \õ/

Rodrigo Teixeira disse...

Ja estou te seguindo :)

Samira Lima disse...

Ziraldo é mesmo "o cara"! Menino Maluquinho é uma raridade na cultura e entreterimento infantil, já que hoje em dia não se vê nada parecido. Parabéns pelo blog, adorei! Sucesso sempre! abçs

Lillo Dogmez, o licantropo. disse...

MINHAS PRIMAS TINHAM COMPRADO O LIVRO "O MENINO MALUQUINHO" QUANDO EU ERA PEQUENO. LEMBRO QUE EU LI UMAS 3 VEZES. PERFEITO.

PASSA LÁ:
http://thebigdogtales.blogspot.com/2011/10/love-is-forever-or-la-mia-mensaje.html