quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Proteger e admirar

Revistas femininas gostam muitão de falar de quê? Homem, claro. Matéria batata de entrar na edição é aquela que “desvenda o pensamento” dos garotos, como se fosse um dicionário de tcheco. Numa dessas Novas da vida, vinha uma série de perguntas direcionadas às criaturas do sexo oposto que eram os dissecados da vez. Achei interessante e inusitado haver uma questão do tipo “Vocês preferem uma mulher para proteger ou para admirar?”. Um sujeito de 30 anos não se fez de rogado: “Na fase em que estou, prefiro uma mulher que eu possa admirar e com quem construir alguma coisa junto. Quando mais novo, o homem tem o instinto de proteger a parceira para se sentir mais macho. Com o tempo, percebe que pode ser protegido também”.

Incrível a maturidade da resposta. A percepção. Normalmente tenderíamos a pensar que gajos mais novos querem uma extensão da mamãe, querem acabar de ser criados, querem ser acolhidos debaixo das asas – e os mais velhos, já resolvidões, protegem. Mas o cidadão da reportagem disse tudo. Pelo menos trouxe um ponto de vista saindo do forno. Sinal de evolução, mesmo, é aprender a admirar. Aprender a precisar. Aprender a depender num sentido total e alegremente distinto do post anterior: aprender a recuar nas onipotências para aceitar os acréscimos alheios, para abraçar as capacidades doadas, os dons, os saberes que nos faltam. Crescemos – todos – quando nos permitimos tocar nos pontos com mais terminações nervosas; nossos membros-fantasma, nossos às vezes embaraçosos vazios.

Ser o eterno fornecedor de proteção é a maneira mais fácil de autoproteger-se. O zeloso é, também, aquele que controla. Aquele que dá as cartas conforme deseja manipular sua imagem, defensivamente. Quem faz o itinerário para ter a chance de desviar-se dos próprios obstáculos. Quer ação mais infantil do que pretender guiar a vontade adulta? Os protegidos, por sua vez – protegidos maduros, não bebezões que na realidade são reizinhos possessivos –, assumiram renunciar ao faz de conta. Admitiram que não dão conta. Não sozinhos. Protegidos são os realistas: sem deitar eternamente em berço esplêndido, penduram no pescoço sua parcela de fragilidade e, necessário sendo, carregam-na frequentemente para o conserto. Estão abertos (não acomodados) à verdade de suas fraquezas. Protetores compulsivos estão nadando no vício de suas forças.

Querendo saber quem é quem, observe. Protetores machões são os que desejam dar download imediato de um programa de cartografia e reinventar o mapa. Protegidos maduros são os que param para pedir informações.

3 comentários:

Milena Eich. disse...

Lindo! Perfeito.

Elaine Bandeira disse...

Acho que os homens precisam é apreender a crescer!

belo texto!
bjos

http://floresmaquiadas.blogspot.com/

Diogo disse...

Gostei da resposta dele e do seu blog tbm, parabéns. Seguindo, se poder segue tbm.

Diogopensamentos.blogspot.com