sábado, 1 de outubro de 2011

Mar de rosas

Sou tarada em rosa. A flor, a cor e, por fofa coincidência, até os portadores do sobrenome – Noel Rosa, Guimarães Rosa, Murilo Rosa, Samuel Rosa, tão queridos. (Devo esclarecer, em parênteses, que o gosto pelo tom não me faz dar nenhuma pinta de Penélope Charmosa por aí. Isto estabelecido, sigamos.) Não à toa, desde criança sou BFFíssima de Santa Teresinha, cuja festa é hoje celebrada. “Não à toa” porque seu epíteto, para quem não sabe, é a “santinha das rosas”. Quando faleceu – com míseros 24 anos –, um cheiro absurdo dessas flores se espalhou pelo quarto. Enquanto viveu seus plenos 24 anos, um cheiro semelhante devia passear pelo mundo.

Maria Francisca Teresa foi das almas mais deliciosas a se hospedar no planeta. Tinha a crença que mais me apaixona: as pequenices. Para usar suas palavras, não ousava querer fazer coisas extraordinárias, e sim fazer extraordinariamente bem as coisas ordinárias. Tanto que seu caminho para os altares foi chamado de “pequena via”. Lógica simples. Era-lhe improvável – como é improvável a 90% dos terráqueos – partir em missão para a África, presidir a França, inventar vacina, evitar guerra, sanar fome, curar morte. Era-lhe totalmente possível, no entanto, acompanhar a freira reclamona que não costumava ser a Miss Simpatia do convento (e deixar-lhe o pão já fatiado para o dia seguinte). Era-lhe possível engolir o resmungo quando outra irmã lavava roupa respingando-lhe o rosto de sabão. Ou quando o barulhito do terço de uma outra lhe perturbava as ideias. Não admira que Teresinha tenha passado à posteridade no diminutivo: foi em diminutivos que teceu sua enormidade, sua imensidão de obra. Feito colcha americana, costurou-se de minúcias, de detalhes, de entrelinhas, de delicadezas; em pouco mais de duas décadas, cobriu o mundo. Não deixou ninguém com os pés de fora. Teresinha era amor para mais de metro. Nunca usou sua pequeneza como desculpa para não ser grande.

Pois é o que fazemos, os medíocres: nos achamos demais para o pouco e insignificantes para o muito, excessivos para o que não conta e desnecessários para o que importa, desperdiçados pelo serviço e esmagados pelo sistema, guerreiros do nada e covardes de tudo. Nos “achamos” – mas não nos encontramos. Pelo menos não no cantinho que nos cabe. O único cantinho no qual somos reis, o único que conseguimos preencher inteiramente, desde que role esforço e capricho. E paciência como argamassa.

(Se o leitor for pudico demais para classificar isso de amor).

10 comentários:

Dalyla Carvalho disse...

Belo texto, belas palavras *-*
Adorei!
Parabéns pelo lindo blog, estou te seguindo :)
Bom final de semana, beeijos

http://refugiopcional.blogspot.com/

João Batista de Lacerda disse...

Rosas vermelhas com amor.

Rock in Culture disse...

São as minhas flores prefiradas as rosas vermelhas. Sobre o post somos humanos e nada mais alem disso emoções razões tudo se confunde e se junto para algo ou para lgo é a natureza

Paulo Cesar Souza disse...

muito bom curti

Meninas & Mulheres disse...

MUITO BELO SEU BLOG , ESTOU TE SEGUINDO TB , RETRIBUI ?

http://meeninasmulheres.blogspot.com/2011/10/oracao-da-mulher.html

Cicero Edinaldo disse...

seu blog é muito bonito e harmonioso1 só tem um problema: sua foto é um desenho (kkk).fico curioso pra saber quem vc é! se tiver face me procura - Cicero Edinaldo!. valeu. TCHAU! SUPER PODEROSA!
blogestarcomvoce.blogspot.com

Urbano disse...

Não conhecia nada de Santa Teresinha (as santas são tantas e seus motivos de serem, às vezes bizarros: visitei o museu de Arte Sacra em SJ Del Rey/MG e a história que li da santa Margarida foi qualquer coisa de... deixa quieto.)

A construção do seu texto é fenomenal, gostei muito desde o primeiro que li, mas esse da Santa Teresinha está por enquanto o meu predileto.
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Quanto à postagem que vc mencionou: recebi sim e está lá. É que passei a moderar comentários pra evitar os irritantes "parabéns pelo blog, passa no meu?" que a gente vive recebendo. A Temple Grandin é a mesma que inventou a máquina do abraço! Aproveita e receba um bem apertado! ABS!!

Kleberson Marcondes disse...

Somos tarados em flores, e no meu caso: Lírios brancos. Deve ser o místico, mas... Obrigado pelo comentário no blog. Foi o mais incitante. Beijos!

Victor Von Serran disse...

Obrigado pelos conselhos ortográficos, sou mais um daqueles viciados no corretor do windows que acabam deixando passar algumas coisas importantes...seus textos são impactantes e com certeza já ganhou um seguidor !

Volte sempre para me corrigir !

Victor Von Serran disse...

Alias tenho um texto novo na qual sua opinião e ajuda serão de grande valia !