domingo, 25 de setembro de 2011

Despudorados

Sexta-feira, todo mundo sabe, teve show da Katy Perry no Rock in Rio. Que delícia. Não fui, mas, se a TV não me enganou desbragadamente, posso afirmar que foi um showzaço. Katy fez misérias (coloridas). Com seu ar de diva maluquinha, parecia estar se divertindo horrores com a brincadeira no quintal. Encheu o palco de um visual meio Plunct plact zum – pirulitos enormes, escadas multicores, biscoitões dançantes. Botou peruca azul. Mudou de figurino um quaquilhão de vezes, incluindo as cinco ou seis trocas em pleno palco, ao som de “Hot n cold” (tudo bem, a comissão de frente da Tijuca fez muito melhor; mas Katy está perdoada por motivo de fofura). Atirou guloseimas na plateia. Atirou-se gulosamente na plateia. Beijou e deixou-se beijar por um indivíduo da plateia. Atiçou com ternura e energia a plateia. Vestiu, literal e metaforicamente, a bandeira do Brasil: fez daqui uma casa instantânea, pura alegria e entrega, sem um pingo de constrangimento de sua ploquice feliz. Despudorada, no bom sentido. Muito ao contrário do que diz na letra lastimosa de “Thinking of you”, quando estava conosco não pensava senão em nós.

Adoro esses despudorados. Os despudorados no bom sentido. Gente que deixa os próprios orgulhos no guarda-volumes e entra com a alma descalça – onde quer que seja. Gente que abre a pista de dança, mesmo estando anos-luz de ser Travolta. Gente que puxa o trenzinho na festa, ainda que a sã consciência ache cafona. Gente (adulta) que pega o Magic Kingdom abrindo, sai com ele fechando e, entre um evento e outro, arrebenta de brincar como se não houvesse amanhã. Gente (masculina) que não tem o menor problema, necessário sendo, de desfilar na ala das baianas. Gente (feminina) que desembarca sozinha no restaurante chique, diz que não, não está esperando ninguém e brinda à própria companhia com um Romanée Conti. Gente que chegou para resolver, responder, perguntar, requebrar, se enturmar, passear, conhecer plena de disponibilidade, nua de vergonha, vazia de preconceitos – especialmente preconceitos importados, que engolimos a seco. Homem não se acaba ao som de Gloria Gaynor? Mulher não oferece bebida ao paquera? Adulto não usa camiseta do Batman nem bolsa da Pucca? Quem disse? Algum sujeito indeterminado (que tentava bravamente resistir aos acordes de “I will survive”).

Despudorados só funcionam no 100%, estão sempre em Roma como os romanos. Entram na micareta e pulam, entram no estádio e berram, entram no cinema e choram, entram na reunião e debatem, entram na igreja e ajoelham. Doam-se ao momento no matter what. Não deixam o corpo no computador e saem para almoçar – ou vice-versa. Operam no limite. Não se largam de si mesmos. São frequentadores assíduos da própria vida. Chegam a cada dia absolutamente inteiros.

E partem mais inteiros ainda.

8 comentários:

neetho brasil disse...

Eu só tenho uma coisa a comentar, eu amo ela, ela é tão sweet e como você mesmo citou uma delicia. Muitos a criticaram em relação de sua voz ser uma merda e ela fazer sucesso so pela beleza. O que comentar sobre isso? Aham claudia, senta lá. amei aqui *-*

Espero você no meu heinn *-*
http://amigoperigo.blogspot.com

indivídua disse...

ela compensa em estética e simpatia mesmo...

#SemNozes disse...

Ela me surpreendeu no Rock IN Rio!!!

Kelly Christi disse...

é querida despudorados, não só surpreendem os outros, mas muitas vezes a si mesmos com seu lado contagiador.

seu blog continua bom, e é bacana saber que vc tem levado a serio, pois tem ideias boas, e agradeço desde já, os seus comentários inteligentes no meu blog. Um abraço, boa semana.

paradigmas universal disse...

obrigado pelo comentário surrealista é disto que eu estou falando ... bjs

me add no msn para tocarmos umas ideias surreais rs

alexandrespop@hotmail.com

Rock in Culture disse...

Não conheço ela Tipo vivo no mundo do Rock

Jack Leonel S.S. disse...

Então quer dizer que eu sou um despudorado??? Que chique!!!! Agora eu fiquei me achando. Bela postagem.
Me visita:
http://odiariodejacksteps.blogspot.com/2011/09/explicando-origem-do-meu-nome.html

Viviane Camacho disse...

Oi fernanda,
Obrigado por passar no meu blog. Não conheço esse filme que vc falou e olha que eu ja vi muitos sobre o aparthaid. Vou procurar.
Sobre a kate perry: confesso que antes do Rock in Rio achava ela meio chatinha. Mais achei muito legal a apresentação dela no Rock in Rio. Independente do estilo que eu curto até agora os dois melhores shows no sentido dos artistas se prepararem para apresentação foi o da kate perry e do metallica. Os outros fizeram um show normal , como se estivessem em qualquer outra cidade ou qualquer país.
Bjss,
Vivica.