sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Procura-se eu

Começou com a banana. Comi uma vezinha só, lá pros quatro ou cinco anos, e calhou de me pegar num bad stomach day; passei mal e nunca mais botei a fruta na boca. Afinal, pela conclusão lógica das crianças (e da família das crianças), eu passaria mal com ela por toda a eternidade. Até que, já em adolescência avançada, resolvi (do nada) dar nova chance à pobre. Por que não? Comi a primeira banana, a segunda, a terceira. Hoje sou absolutamente viciada em banana. Não passo um dia, 12 horas, 120 minutos sem banana. Se forças externas não me impedirem, sou capaz de devorar uma dúzia inteira de banana. Tenho crise de abstinência sem banana. Eu – a que poderia sofrer colapso instantâneo se chegasse perto da cuja.

Os sintomas prosseguiram (efeito colateral da banana?). Fígado, por exemplo. Eu odiaaaava fígado. Quando pequena – digo, mais pequena –, estremecia de desgosto caso precisasse engoli-lo no almoço. Pois agora lambo os beiços. Se tem fígado na merenda da escola, pra mim é feriado (os demais professores olham de revés tanta animação com aquela ambrosia insólita). Outra gororoba que virou manjar dos deuses: berinjela. Que nojo tinha às sementes pululantes! De repente, numa epifania estomacal, passei a amar berinjela. Com maxixe, camarão, azeitona, palmito, quiabo e jiló, ainda aguardo a iluminação.

Oncinha. O que aconteceu àquela cidadã que tinha ânsia de vômito com oncinha? Não que eu goste, fique entendido. Mas seja por cansaço, conformismo ou rendição visual aos ataques das vitrines, inaugurei um olhar menos enojado. Depois, mais benevolente. Em seguida, claramente tolerante. Até chegar ao cúmulo: comprei uma peça de oncinha! Tudo bem que é camisola rosinha, delicada, e que os estampados miúdos mais parecem flores do que pele de bicho. Mas que é oncinha, é. Apenas minha capitulação oncesca permanece, por enquanto, seguramente enjaulada entre as paredes. Se eu começar a socializar, juro que me peço um exame de DNA para conferir se continuo habitando o corpo certo.

Eu mergulhava feliz nos pratos quentes do bufê, agora encho a cara de saladas (e salivo). Não suportava jornal, agora acompanho com interesse a Globonews. Torcia o nariz para autores que fugissem ao século XIX, agora sou fissurada em Martha Medeiros. Separava cada porção de comida no prato, agora junto tudo numa comunidade festiva (tenho esperança de que o inconsciente tome isso como metáfora). O melhor é que, em geral, não deixei de gostar do que gostava, não propriamente substituí: acrescentei. Dei-me anistias, abri-me caminhos. Coloquei mais nomes na lista VIP. Minha festa está muito mais feliz de cheia. Só acho difícil vir um dia a convidar sopa, ervilha, catupiri, paraquedas, rapel, futebol, pagode, heavy metal, mandarim, alemão e Calypso.

Mas a gente nunca se sabe.

7 comentários:

Belinha disse...

Dizem que bana é ótimo energético e evita câimbras ... ahahaha eu goto mais de maçãs verdes azedinha tbm muito bom..... minha fruta que repudiei na infância foi o maracujá mais hoje sou viciada nela com açúcar ou suco dela muito bom.. fiz questão de vir que além de vc comentar com vontade seus post vc é muito inteligente b

Fábio Alves disse...

É sempre bom variar e tentar novas experiências, ainda mais as gastronômicas!

Tataah disse...

sempre boom inovaar.. rsss

Adoro seeu blog *-*

Dá uma passadinha lá, vaai gostaaar :DD

http://echidellanima.blogspot.com/
Beeijos *-*

Matheuslaville disse...

Procura-se tudo nesse mundo e inclusive a alma gêmea de todos....

Fred disse...

sempre bom tentar novas experiências (: ótima postagem

Lillo Dogmez, o licantropo. disse...

REALMENTE COM O TEMPO A GENTE VAI APRENDENDO A DESAPRENDER, SEM DEIXAR DE LADO TODOS OS PROCESSOS DE APRENDIZADO.
DEPOIS DE LER O COMENTÁRIO,PASSA LÁ:
http://thebigdogtales.blogspot.com/2011/09/o-tempo.html

Odinilson Lima disse...

Eu odia paçoca e cuscuz... Hoje, eu devoro tudo hauahau. Ahhh, já o jiló, nem aos 100 anos eu comerei (eu acho. xD